domingo, setembro 10, 2006

CUCKING STOOL - III



Cucking Stool- III



... O clichê é a alma do negócio! Tecer a ceda na mesma tecla é fazer da mentira uma verdade...
"Lições preliminares de desobediência civil"


*

Sou acusado pelo lixo atômico que vegeta estas folhas... O que poderia dizer a respeito de toda esta merda? Nonsense? Quantas colheres de açucar você coloca em seu chá? Se é que você toma chá... Quantas bruxas foram queimadas por causa do livro vermelho de Mao? Acho que nenhuma!

Nonsense... Apenas a forma mais florida de burlar as leis da escrita medíocre universal, e ter a honra (pretensão ignorante, esta palavra "HONRA".) de escrever ainda mais mediocremente que os outros ardorosos Best-Sellers...
É algum tipo de vingança, algo que vem de berço, do berço da velha Alexandria... Pergaminhos e papiros amarelados corrompem a mentira que eles chamam de verdade... Ainda volto a tocar no mesmo assunto... "A alegoria da caverna", Platão, só ele para escrever um diálogo entre Sócrates e Glauco... Mas o que temos a ver com tudo isso? Tudo... E esta ignorância toda para não enxergar os livros que estão em sua estante, isso, estes mesmos acima da televisão... Tudo bem, quer apagar a TV agora? Se quiser, eu posso tentar lhe ajudar a cometer um assassinato, escolha qualquer astro da sua novelinha... Depois de exterminar com todos os atores, quem sabe o povo se rebele por não ter o que fazer e comece a dar importância para seu próprio rabo... Macaco velho não bota a mão na cumbuca... Mas, sem a novela, iriam notar as fraudes de todos os governos... A sociedade nestas condições tende a criarem terroristas... Aí o primeiro que roubar do povo aparece morto... Quer dizer... Aparece seu carro queimado em mil pedaços, pois ainda não conseguiram identificarem o corpo... Também, saibam que demora ter que recolher tanto guisado carbonizado... Parece até que estou fazendo apologia ao terrorismo? Não, veja a novela, mas depois leia toda a obra de Henry Miller, Rimbaud e Verlaine... Ou Kropotikin?
Caso contrário facção terrorista do controle remoto, apague a TV, já imaginaram eu ter que me deparar em pleno domingo com aqueles programetes de auditório? Onde está a arma? Suicídio na certa... Não que você vá atirar na sua cabeça, mas você, assistindo estes programas, já decretou sua morte lenta cerebral... Podem desligar a máquina, EUTHANASIA!!!
Metáforas...
Elas se soltam de meus dedos carregados com a fúria das formigas, tiro uma, apenas uma da rota, mas as outras continuam em direção ao formigueiro, marchando em silêncio... Então FAÇA VOCÊ MESMO, ou, quem vai fazer alguma coisa por você? Bom, Com Licença, minha mãe está me chamando para tomar café...
Mas, por mais que seja acusado de estar fornicando nestas páginas, a gaivota ainda brilha diante o mar... A estrela do mar ainda brilha em suas órbitas... O bico do corvo ainda passeia nas linhas das palavras como a pena de Poe... Saio do front. Sou do exército mercenário de estudantes que quebram os vidros daquela lanchonete multinacional, que joga pedra nos palácios... Que fazem sopas de letrinhas se esparramarem nos ladrilhos da cozinha como encontrar aquela torta de bolacha mofada e não ter a pretensão de achar o recheio, que já deve estar mumificado, não querer dar ouvidos aos deuses que lhe trancafiaram com esta máquina de escrever, não dar carona nem para Medusa, nem para Qorpo-Santo, meu Bel Air está sem gasolina depois da guerra do Iraque... Queria comprar um cachorro quente, mas hoje vivemos em um mundo utópico e só vendem hot-dogs com salsichas de soja... Até nas melhores famílias... Nonsense, nonsense...


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Sfregia, o castigo do talho de navalha no Rosto de Madalena, a mulher que encheu os cristãos de pecado e prazer...(Ou, um erro histórico, cometido pela maldita igreja) ?

Condenada, jamais conseguirá trabalhar novamente, minha adorável marafona, meu anjo, querida, toda vez que olho para esta cicatriz horrível em seu rosto, fico pensando em o que passava pela cabeça do maldito cão que quis ver sua dor, por que ele não te deixou ser bela, por que então não tirou sua vida em vez da desgraça... Minha prostituta, onde tu andas sozinhas nestes bosques, matando duendes com esta navalha enferrujada, e procurando as ninfas e bruxas para que elas lhe ajudem... Talvez alguma delas poderá lhe dar novamente a sua beleza, e talvez você voltará a seu ofício naquela casa de beldades, e quando você voltar, quero estar lhe esperando para tomarmos chá de maçã na varanda, escreveremos juntos uma carta pecaminosa, cheia de palavras horrendas e ofensivas para o Papa, e deitaremos nas sombras das laranjeiras rindo de todos estes caminhos ilustres por que temos que passar durante o tempo que nós temos de vida. Uso de uma filosofia vinda do inconsciente para lhe honrar e lhe presenteio com estas flores para que você volte a sorrir. Sou seu amigo, não tenhas medo de eu ver seu rosto cortado com o fio do ódio. Aquele homem deveria lhe amar muito para lhe dar tal castigo...
Invoque Bathóry, para que ela se vingue de sua falhas... Para que ela busque novamente sua dignidade... Quantas lágrimas escorrem de sua vagina mal a(r)mada. Sem dentes? Deixe-me pentear seus cabelos, quero sentir o perfume, sentir o véu que cobre este rosto... Ainda bem que não foi apedrejada... Não gostaria de ver você mutilada... Quantas vezes lhe chamaram de puta, cuspiram em seu rosto e riram deste talho?
Não precisa chorar mais; ontem mesmo eu fui até a cidade com minha carroça de bois, era noite e eu usava aquela capa preta com capuz que você fez para mim, lembra? Deixei-a amarrada ao lado do castelo, e fui em direção da mansão do Barão de Monte Carlos, dobrei a esquina, os lampiões já estavam acesos, tive que andar com cautela, e entrei na Catedral, fui até os aposentos do Bispo Von Kriegger, o acordei, mas ele olhou para mim sem nenhum espanto, até parecia que estava a minha espera. De seu corpo exalava um cheiro forte de frango assado e vinho. Ele deve ter passado a noite no castelo em um daqueles banquetes que todos estes Condes e Barões saem com seus leões de chácaras arrastados de tanto beberem vinho... Eu sei disso por que trabalho em uma vinícola, como você já sabe... E Von Kriegger deve ter entortado uns 20 litros sozinho para estar naquele estado, ele acordou, me olhou, mas seus olhos deram uma volta de 160 graus... Tive que segurar sua cabeça com força. Acho que ele caiu na cama em coma alcoólica, hoje ele deve estar pensando quem deve ter feito isso com ele... Mesmo que tenha visto, só se lembraria de alguém com um capuz preto e um castiçal onde carregava a minha vela, e com a outra mão, puxei minha navalha, completamente afiada, passei a tarde de ontem afiando, para vingar a sua honra minha querida.
Puxei sua cabeça com força para cima e com um só golpe passei a navalha da testa até seu queixo em um grande talho profundo, sua boca partiu-se em duas, mutilando seus lábios, o sangue espirrou na minha face, ainda senti o cheiro de vinho no sangue quente e o joguei de volta em cima da cama, quando olhei para o lado vi a imagem de Cristo crucificado, fiz o sinal da cruz e vi do lado uma caixa cheia de garrafas de vinho, amanhã estarei ao seu encontro e lhe levarei uma garrafa para nós comemorarmos a SFREGIA na cara do carrasco, de Von Kriegger, o Bispo jamais olhará para você novamente minha querida, e terá que andar como uma mulher muçulmana, tapando o enorme talho em sua face, a cicatriz vai ficar três vezes maior que a sua. Queria tê-lo matado, queria ter passado a navalha no pescoço do Bispo, mas queria que ele sentisse o gosto da vingança e levasse para sempre estampado no rosto à dor suprimida de sua estimada beleza que ele lhe tirou...
Até amanhã. De seu amigo:
Joseph Valghan.

*

Recluso, um sonhador utópico deu um tiro na lua que saiu pela culatra, leu todos os clássicos, tentando obter as respostas da vida, mas descobriu que estava tomado pela ficção e jamais poderia retornar ao mundo real.

Martin Waugh volta para casa com um choro engasgado, recebeu mais um não da mulher amada. Recebeu mais um não na entrevista de emprego, recebeu mais um não no pedido de empréstimo, recebeu mais um não no banco para quitar suas dívidas, recebeu mais um não da editora quando mostrou seu livro, recebeu mais um não quando mostrou seus quadros para expor naquela galeria de burgueses, e recebeu mais um não da sociedade por ser o que SEMPRE foi. Mas à noite eu conseguia escutar suas risadas e o barulho da máquina de escrever pulsar nas veias do contista viciado em terminar sua obra, em terminar de escrever o mundo perfeito, de poder sentir os sonhos de uma sociedade menos hipócrita, de pessoas com um pouco mais de dignidade, que não precisam pisar em alguém para serem salvas, que não precisam censurar e nem pisotear sobre o cadáver de ninguém para se sentirem mais protegidas nesta sociedade do medo, do consumo, da moda, do status, da busca ordinária pelo ouro (todos querem o ouro, mas não querem dividir). Martin podia ficar a noite inteira escrevendo com sua velha máquina portátil, era só ter uma garrafa térmica de café ao seu lado, uma carteira de cigarros e uma caixinha de fósforos... Mas, até hoje ele não consegue entender por que destes vícios que destrói o escritor.
Eles sabem que estamos à noite escrevendo, sinto o cheiro da conspiração. Martin também a sentiu, tínhamos que fumar para morrermos mais cedo, para escrevermos menos. Mas se não fosse esta conspiração, não haveria motivos aparentes para Martin Waugh ser um escritor, romancista e contista. Para que escrever um poema que fala: "Ó céu azul tão maravilhoso, tão belo, tão lindo?” Bastaria olhar para o céu, e não haveria o poema, mas o mundo é sujo, é um saco de merda, e temos que escrever "Ó céu vermelho, como o escarro de minha tuberculose, céu rubro subversivo. Te bebo nas noites insanas da vergonha, te possuo, ó céu vermelho de meu sangue"... Ficou pior, mas Martin Waugh não se intimidaria tão cedo, não há nenhum sentido em não fazer assim, afinal de contas, quando falavam dele era apenas para falar de seus DEFEITOS e não de sus qualidades. Martin estava trancado havia anos no meio de suas leituras, lia seis, sete, oito livros ou mais ao mesmo tempo, lia quatro poemas de um livro, pulava para um capítulo de outro, e depois pegava outro e lia mais três contos, assim misturava todas as histórias e autores, e a novela não terminava, o livro que terminava primeiro era um personagem que estava morto, fora da história, mas seria lembrado para sempre; Martin escreveria a respeito e anotaria o nome da obra e do autor em um caderninho. Logo pegava mais um livro e misturava a família de livros que lia ao mesmo tempo... Poe se misturava aos Poemas do Haxixe de Baudelaire, que se confundiam com os poemas de Bocage, somados com a poesia beatnik de Corso ou as Memórias de Nelson Rodrigues (A menina sem Estrelas, e A vida como ela é...), com A Crucificação Encarnada, (Sexus, Plexus e Nexus) de Henry Miller, Neal Cassady e Restif de la Bretone e seu clássico libertino ANTI-JUSTINE. Martin estava ficando louco, não conseguia entrar no mundo real, sua mulher falava de seus problemas, sua mãe queria lhe contar o dia, queria saber das novidades, mas Martin queria saber do final do livro...
Estava vivendo em outro planeta, tentando obter as respostas ou fugir delas. Sua vida estava se partindo. Eram duas, as vidas em que as pessoas o amavam, e a vida que ele queria amar, o perfeito que só achava na tristeza e na alegria da arte...
“A arte não deve ser isso ou aquilo. A arte não deve nada". Ferreira Gular.
O que ele queria realmente para si ficou maravilhosamente bem empregado; sozinho ele era excelente, mas não podia ter o contato com outras pessoas, ser utópico sozinho trazia para si a maior de todas as pazes interiores... Sozinho poderia realizar tal façanha. No momento em que tirasse suas idéias perfeitas (para si) do papel o caos desmoronaria em cima de sua cabeça... Sua utopia seria realizada como? O comunismo só é bom para os comunistas, assim como o fascismo só é bom para os fascistas e o cristianismo só é bom para os cristãos...(Se há governo sou contra...).Sem governo, seremos contra o quê?
"onde uma coisa é FEIO / PECADO / ABOMINÁVEL / TERRÍVEL em outros lugares não passa de uma coisa /ATO COSTUMEIRO ou até LINDO / MARAVILHOSO. A moral e a ética não valem nada mudando de território"... (A Ponta da Faca, Cucking Stool - Capítulo IV de 07/05/2002.)

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Cheguei a tempo de poder conversar com as formigas verdes de rabos vermelhos... Todas me aconselharam a largar a batina libertária, mas jamais me venderia a ponto de ter que largar o álcool e o café.
-1-

Acendo um cigarro, olho para a primeira formiga, Lila, ela aponta para a grande deusa, a TELEVISÃO, me sentei no sofá em sinal de respeito mas voltei a olhar para a grande formiga verde de rabo vermelho, ela queria me dizer para eu olhar para nossa deusa e assistir a seus filhos no horário nobre ou se referia ao meu jeito de escrever? Não posso me esquecer daquela vez em que Lila em Jeruska Lem. Era noite, e ela viu um brilho e entrou para uma pequena cabana onde se encontrava uma mulher de gestos duvidosos que se chamava Mariae. Ela estava abrindo suas pernas, oferecendo sua moita para um grande senhor de barbas longas conhecido como Teobald...
Sua vagina cintilava. Lila jura de patas juntas que pulou na hora do coito e fez parte da primeira fornicação do que hoje podemos chamar de religião Cru$t Nhan. O membro de Teobald rachava o ventre de Mariae, que antes parecia ser uma mocinha direita, mas depois de ter tido a primeira briguinha com seu namoradinho Jonataz, foi perder sua virgindade com o primeiro que encontrou, que por sinal lembrava a um semideus, Príapos, depois dele ter mostrado sua carteira de identidade, (o documento). Lila entra na caverna virginal e sente a primeira esmagada entrando na parede do útero pressionada pelas varadas da glande que a empurrava com fúria... Mariae gritava:
- Ó meu anjo, ó meu anjo, senhor!
Lila mordeu seu útero, mastigou e cuspiu o sangue encharcado com espermas pustulentos da sífilis gonorréica de Teobald...
Dizem que nesta noite uma antiga amiga de Mariae que se tornará prostituta, a mando de religiosos do alto escalão, Magda Vlena, teria escutado os gritos de prazer e de dor da pobre virgem sendo rachada pelo semideus e teria contado para seu futuro noivo Jonataz a tal história do "O meu anjo...”.
Mariae teve que contar da tal aparição de um anjo muito lindo que a encontrou e lhe deu uma missão de conceber o filho de DEUX MAXIMUS, e é claro, Jô caiu na conversinha de Mariae... Os cães em fúria partiram para cima do cão sarnento. O maior, sem perdão, não perderia a viagem e tratou de pular na traseira do cão de dois pênis e cravar seu membro no ânus do sarnento que uivava de dor de ser deflorado em sua parte traseira. O cão fornicador trancou no ânus do cão sarnento que estava colado na cadela da vizinha. O cão sarnento teve a pior doença no cu que Lila havia visto. Milhões e milhões de coros faziam ninhos
Hoje Lila me conta isso apavorada, mas antes ria de se torcer pelo chão imundo das fezes do cão sarnento que possui dois pênis para fora, um com o osso do membro quebrado que sangra com freqüência... Lila para se esquecer dos problemas do mundo, na maioria das vezes, adora entrar no ânus do cão e apreciar o cheiro de suas fezes... Atualmente o cão está com uma doença medonha em seu ânus... Depois que a cadela da vizinha entrou no cio, o cão pulou para cima dela com fúria para imitar a cena de Teobald com Mariae, mas havia se esquecido que possuía dois pênis e quebrou o membro, impossibilitando outros cães de usufruírem a boa ação da cadela da vizinha...
Os cães em fúria partiram para cima do cão sarnento. O maior, sem perdão, não perderia a viagem e tratou de pular na traseira do cão de dois pênis e cravar seu membro no ânus do sarnento que uivava de dor de ser deflorado em sua parte traseira. O cão fornicador trancou no ânus do cão sarnento que estava colado na cadela da vizinha. O cão sarnento teve a pior doença no cu que Lilá havia visto.Milhões e milhões de coros faziam ninhos e comiam as paredes de seu reto destruindo todo o seu intestino, e tudo isso pelo esperma do cão fornicador apodrecer em seu rabo...
Todos os coros, vermes canibais necrófilos tinham a cara de DEUX MAXIMUS... Hoje, minha amiga Lilá, a formiga verde de rabo vermelho me convida a fazer filmes pornográficos com ela. Por isso me apontava tanto a TELEVISÃO... Nosso primeiro encontro acabou em Firt-Fucking em seu rabo vermelho. Ela queria que eu encontrasse o controle remoto em seu intestino lotado de fezes e espermas, “e isso tudo no escuro”.

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Verlaine de meias rosas é mais um albatroz de Mallarmé declamando o poema: “Le Sonnet du Trou du Cul”, para Rimbaud imitando Justine ensaiando um ato de moral ímcubo de pleonasmo súcubo.



(Rosa, minha querida esposa!).



Até que descobriram que Mallarmé simbolizava alguma coisa...
Rosa saía cedo para comprar as verduras na feira, e chegar com o pão quentinho da padaria para colocar o café na mesa antes que Rivonaldo acordasse. Maravilha, o café da manhã sempre estava ali na hora certa, preparada com todo o amor e carinho por Rosinha. Era uma mulher exemplar, tudo era feito com total dedicação. Rivonaldo acordava, tomava seu café sorrindo e olhando com o canto dos olhos por baixo do jornal para as nádegas roliças de sua querida Rosinha. Ela nem percebia os desejos enrustidos de seu marido que a anos sofria de impotência sexual. Mas mesmo assim, não deixava de apreciar aquela maravilha em sua frente se misturando com o agradável cheiro de café sendo passado e do leite sendo fervido... Os dois não tinham filhos, o que melhorava a paz do casal que aparentava ter uma vida doce como se fosse um sonho...
Rosa serve a xícara de Rivonaldo.
- Mais alguma coisa meu querido?
-Ah, não, nada não minha querida, só me alcance à leiteira, obrigado.
Ela sai da cozinha, ele não se contém, olha novamente para suas nádegas apetitosas, se engasga com o pão e toma mais um gole de seu café com leite, tremendo a mão. Rosinha pega a sua bolsinha na sala, a coloca no ombro e se escora na porta da cozinha.
- Querido.
- Sim?
- Vou dar uma saidinha, tenho que dar uma passada na igreja; fiquei de marcar com o padre o sopão que a comunidade católica irá fazer para as crianças pobres...
- Tudo bem querida, vá com Deus.
Rosa sai, ele olha para a sua bunda e dá um tapa em seu próprio rosto.
- Covarde, porque não confesso a ela que sua impotência é uma mentira, coitadinha, todos os dias aqui; atenciosa comigo, podendo estar desfrutando de sua carne divina, mas não, sempre preocupada com seus afazeres domésticos e religiosos e eu aqui, mentindo como sempre, para não dar na cara as minhas safadezas no pagode do bar do Sula.
São sete anos, sete anos que não consigo chegar em casa preparado para ter uma noite de amor com minha mulher. Já chego todo esfarrapado, arrebentado de tanta putaria com as mulatas do pagode...
... Pobre Rosinha...
Rivonaldo termina de tomar seu café, escova os dentes e se arruma para sair pro trabalho. Chega bem cedo. Celina, sua maravilhosa espetacular secretária já está no escritório...
- Celina, chegou mais cedo hoje?
- É patrãozinho, para o meu marido não desconfiar eu vim mais cedo hoje para não ter que fazer serão todas as noites...
- Boa menina, então quer dizer que quer fazer o trabalho mais cedo?
- E não é melhor patrãozinho? Começar o trabalho com uma boa relaxada?
- Boa menina, boa menina, vem cá. Quero te mostrar uma coisa aqui na minha sala meu docinho...
- É pra já...
Rosa nem imagina que seu marido é um homem viril e como está trabalhando bem em seu escritório, mas, ela nem daria bola para isso, neste instante ela está com o padre Cláudio na paróquia Santa Maria. Ela, tendo diversos orgasmos que jamais tivera antes em seu precioso matrimônio. Meio dia. Rosa já está em casa com o almoço pronto para Rivonaldo, que chega tranqüilo, sem que sua esposa desconfie de nada, e ela com seus pecados em dia no conficionário.


*





Heráclito, por Judas... Por que essa contracultura deforma sua estepe? Agora pressinto todas as margens de lucro fornecidas com a cara da revolução camuflada no dólar.



Até um certo ponto concordei, mas a exorbitante baleia cor de rosa chamada MOBDICK se transformou em uma caricatura no oceano dos buracos negros no filme Yellow Submarine dos Beatles. Eu também queria estar lá, queria ser um desenho animado. A gente quebra a cabeça como o Tom & Jerry, se espatifa em mil pedaços e logo se reconstrói e volta a correr atrás do inimigo... A teoria da lagartixa: Perdem o rabo mais nunca as esperanças... O brasileiro já deve o seu rabo para o FMI, não tem nem como reivindicar uma mão na bunda por que eles já estão te atolando com a AMERICAN FLAG!
O complexo de Édipo! O complexo de Electra... Já notaram que todos nós somos cheios de complexos? SEXUS, PLEXUS & NEXUS Henry? Não precisamos entender nada de Freud para sabermos disso; aliás, acho que nem ele entendia o que escrevia e o que falava.
Talvez eu sofra de MONOMANIA como Qorpo-Santo, que tinha compulsão em escrever, ou ter a mania de escrever toda a hora sobre Qorpo-Santo que segurava o garfo da besta em suas alucinações de criar sua própria gramática; ele tentou simplificar tudo... Foi internado no Rio de Janeiro no hospício Dom Pedro II por idéia boba de sua mulher... Só porque o homem escrevia demais sua cretina?Em Porto alegre ele mesmo editou sua obra... E foi professor aqui, em Santo Antônio da Patrulha entre 1850 a 55...”PQP”...
Hesíodo... No princípio era o caos... Mas, onde é que você estava? Era o começo do movimento punk e você perde uma festa dessas... Enquanto as trevas, “Erebo”, e a noite, “Nix” se chocavam no caos (início do movimento PUNK), nascendo “Eros” de dentro do ovo da criação, e a abóbada de cima do ovo, o céu “Urano” chovia na parte de baixo, Terra, “Gaia”, que acabou sendo fecundada por esta “chuva” dando à luz a todos estes doze titãs, três ecantônquiros e três ciclopes e mais um monte de beatniks nostálgicos que venceram o tempo, venceram os hippies, os yuppies, toda aquela chatice da tropicália e foram virar um bando de glittlers sem caráter, desfilando com os diários de Andy Warhol, só por que gostavam daquela musiquinha do Lou Reed que dizia assim...
Pitágoras... Anteontem pintei quadros com aquarelas... Jamais pensei em borrar tanto um papel, mas leio o jornal todas as manhãs...(mentira) lápis de cor aquarelável também é fruto de nosso ventre, Goya... Nada se compara às ilustrações de Gustav Doré no livro Dom Quixote de Cervantes...
Aristóteles... Metafísica até os dentes... Acho que perdi totalmente a noção do texto, nem me lembro o que escrevi logo acima, mas não perderei meu tempo... Isso não importa...
Para que ter um conto, uma história, um romance com começo, meio e fim? Já basta o ciclo da vida, nascer, tomar café e morrer.
Isto faz parte, Ulisses, Hercules, Batman, Homem-Aranha... Isto faz parte da epopéia comunista libertária empalado no escuro buraco das nádegas até a boca de CUCKING STOOL...
Odisseu, Super-Homem, Thor, Lóki, Odin e incrível Hulk também se divertem em um bacanal repleto de putas burguesas regadas de vinho, acompanhadas de Baco em saudações a Príapos, mitologia escandinava, gigante Ymir... Fuja com Caronte, fornicação das Gréias, ninfas, sereias, fanzine anarco-punk feito por Homero que passou a infância inteira lendo os quadrinhos de Crumb e devorando a boa literatura da Hustler. Hoje ele vota nulo e vira as costa para Robert Flynt. Quantas Medusas tenho que guardar, odeio colecionar figurinhas repetidas... A solução para todos é gravar todos os seriados japoneses... Spectremen!


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Após a entoada do golpe militar, as lombrigas prostitutas agarram com fé ardorosamente o membro dos vermes castigados com as palavras da “sacranagem” imperial de astronautas puritanos...

-2-

Abri o jornal, li a primeira matéria policial, mas logo fui interrompido por Gueorguian, Suzi Gueorguian, a segunda formiga verde de rabo vermelho que trabalhava junto com outras proletárias; havia juntado um dinheiro para mudar de vida, mas tudo a levou a vender seu enorme rabo vermelho e hoje ela insiste em me interromper diariamente na minha leitura das páginas policiais tentando me contar suas “sacranagens” com os militares de membros pequenos que eram acariciados no reformatório por padres pedófilos (Nossa, que redundância).
Um dos padres se tornara Bispo anos depois, se chamava Von Kriegger, e uma de suas taras era sempre usar por baixo da batina calcinhas rosas rendadas. Anos antes desta história, ele era conhecido por cometer o ato da sfregia no rosto das damas da noite, mas um anarquista primitivo havia vingado o talho no rosto de sua puta amada também cortando o rosto de Von Kriegger.
Liubimov, o último dos militares do exército vermelho de Stalin havia sido amante de Suzi durante décadas... Suzi Gueorguian me contava todos os dias em meio as gargalhadas como ela fazia para tentar encontrar o pênis de Liubimov no meio de tantos pelos pubianos. Não eram os pentelhos que eram grandes, mas seu pênis que se resumia a um tamanho de um clitóris. A macheza, a homofobia de Liubimov era explicada quando se falava em seu trauma, Suzi subia em cima do general e esfregava sua vagina vermelha até Liubimov gozar como um moleque. Ele chupava o dedo ridiculamente e pedia para ela o nanar, como se ele fosse um bebezinho e ela sua mãe.
Acendi um cigarro, olhei para o rosto da formiga, me levantei, fui até a estante, me servi com um grande copo de vodka, me sentei novamente na poltrona e perguntei: “Suzi, o que quer me contar agora? Mais uma coisa sobre o general Liubimov? Ele traiu o partido Bolchevic?”.
“Não!” Ela respondeu.
“Então ele teve algum caso homossexual sado-masoquista com o próprio Stalin?” Perguntei.
“Não, ele uma vez me contou que diariamente era enrabado por Von Kriegger, o bispo que morava no sul da Inglaterra, ainda em sua infância, mas na sua adolescência sua família havia se mudado para a Rússia, antes da revolução de 1917, lá ele adquiriu o hábito de mostrar suas nádegas aos seus colegas, às vezes abria bem as nádegas e mostrava o ânus para os meninos da turma. Uma vez um de seus colegas, ao ver ele abrindo a bunda e mostrando o ânus, tirou seu membro para fora das calças e mostrou a Liubimov, ele deu três passos para trás e colocou as calças novamente, saiu correndo chorando e se escondeu em baixo dos cobertores...”
“Mas o que aconteceu?”.
“Foi à primeira vez que ele viu um cacete monstruoso, tinha uns trinta e tantos centímetros, cabeça de bolo inglês, cheia de veias fartas... Este seu colega tinha até o apelido de Rasputin, O Grande”.
“Mas não era isso que ele queria Suzi?”.
“Não, mas ele se divertiu com aquilo, após chorar ele se masturbou em baixo dos cobertores por descobrir que era um rapaz feliz”.
“E você? Fala dele com um tom sarcástico, mas ao mesmo tempo parece gostar do general?”.
“Eu o amo!” Ela respondeu. “Mas o meu grande martírio era ser traída por seus sonhos, por suas fantasias, ele sonhava com o braço de ferro de Stalin o deflorando...”.
“Com licença querida, eu vou me servir com mais um copo de vodka”.
Acabei bebendo 7 garrafas até o final da manhã...


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Clorofila – a guerrilha subversiva de J. Bhrames Khan, no inferno chamado de terra, terra cheia de esterco – poesia beatinik e bolo de chocolate.


Comi três bolachas Maria, e fiquei me lembrando daquela maravilhosa torta de bolacha que minha mãe fez no meu aniversário... Torta de bolacha Maria com pedaços de chocolate no recheio... Apesar de que estas tortas são completamente um recheio... A vida deveria ser igual, temos como base estas tortas feitas em padarias, que o merengue fica duro, a massa do bolo já está velha, e por mais que você envelheça e que sua vida não seja igual, amarga como aquele bolo velho, tem o recheio, ali no meio ainda a chama de vida, sua inspiração para criar e a temática de seu caminho que se encontra repetido no meio daquela maquinaria estragada, por mais que você tente se livrar destas partes do bolo (de sua vida), que tente lavar esta roupa suja, ali está a doçura que encanta até suas ordens cerebrais do radicalismo que prende você próprio ao seu chão EU, um EGO estufado na mesmice que envelhece e perde o sabor...
Bolo de chocolate para suas paranóias existenciais... J. Bhrames Khan em sua guerrilha subversiva e em seus textos não acadêmicos transporta para todos os seus olhos, até aqueles que não querem enxergar, a doçura da perversidade humana, nos deixando nus diante da beleza, fazendo com que a pobreza ideológica de falsos profetas se espalhem como versinhos subversivos que entoam e retumbam na memória complacente das fábulas históricas da grande democracia que está com as pernas bambas de tanto enxugar cachaça no cair da tarde.
Bolo de chocolate para você adocicar teus olhos que enxergam a distorcida imagem da arte, e da verdadeira esquizofrenia... Lembrei-me de um poema do escritor Luiz Nicanor (meu pai)... De seu livro “Casos da Natureza”, que diz assim:
“O CAVALO / O cavalo pasta. / Está pastando. / Lá está um cavalo pastando. / Pasta o cavalo... Vai arrancando a grama / quieto / quieto como a tarde / / Quem está mais quieto, / o cavalo ou a tarde? / Pode ser eu que olho o cavalo. / / O cavalo pasta, / está pastando quieto. / Que será que pensa o cavalo / enquanto pasta quieto? “
Sinto-me mais tranqüilo agora, não preciso retornar a ficar pensando nas maledicências pecaminosas do planeta revestido de esterco, com sua harmonia castradora que nos sufoca no CAPITALISMO, estou tranqüilo como o cavalo do poema, como o pasto, que está calmo no campo...
Mas, enquanto para uns, o seu dia está muito calmo, como o recheio de um bolo, para os outros está totalmente amargos, pela derrota diária da vida conspirando contra o pão que se luta... Enquanto escorre o suor do trabalhador, enquanto suas mãos estão calejadas, ele, mesmo sem poder fugir de sua prisão, desta rotina que entope sua mente, ele sabe que o seu recheio é doce, e que ele pode retornar a ser como aquela torta de bolacha, completamente doce... Enquanto as dores diárias se constroem dentro deste balcão refrigerado que se encontra nossas vidas, as palavras subversivas de J. Bhrames Khan são espalhadas, copiadas e distribuídas nos guetos, nas cidades nas estradas do mundo afora, como um beatnik sem fronteiras, apresentando saber conhecer a amargura, mas viver sobre a amargura, deixando com que suas palavras se estendam para fora, deixando o recheio se expandir na vida das outras pessoas... Subversivo total constrói diariamente a guerrilha contra a prisão do homem contemporâneo contra sua cultura cheia de fantasmas de crenças e fé, destruindo o fanatismo que nos cerca, mudando de canal constantemente, desligando a TV e abrindo as páginas de seu diário... Três bolachas Maria? Depois de escrever, acho que vou guardar este saquinho de bolachas e tentar fazer uma torta de bolachas para servir no café da tarde.


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Bandeira preta


Eu, Juan Pablo Benítez, caminhava vagarosamente à noite nas ruas da capital até o amanhecer. Sempre pensativo com as mãos para trás, olhei para o vitral e me vi, ali parado com uma cara de perdedor incondicional. Por alguns instantes achava que tinha razão em vários pontos de vistas da minha vida amargurada e tendo como rotina a discussão diária com outros seres da minha espécie. A convivência humana. O que eu diria, ou melhor, o que eu perguntaria para Henry David Thoreau? Como eu poderia escapar destas fases da vida onde teus pensamentos e idéias não se encaixam com os demais? Seria um alívio acordar, comprar o café, o leite, o pão sem ter que dar bom dia para o padeiro, e de ter que encontrar a vizinha chata e dizer, boa tarde, e ainda poderia te perguntar, como foi seu dia, que tipo de respostas eu poderia dar a mim mesmo? Olho para a minha cara de pobreza interminável nesta vitrine, com o reflexo pareço estar morrendo, ou tudo está distorcido... Ainda bem que ninguém lavou este vidro com algum detergente qualquer para não dar a impressão de ter uma santa no vidro. Já pensou? Eu aqui parado e aparecer uma multidão de devotos de nossa senhora ao meu lado olhando para o vidro e depois olhando para mim e me perguntando: “Você viu? É a Virgem Maria!”, e eu juro que cataria uma pedra e estragaria com a festa, quebraria a vidraça desta loja e correria para minha casa para não ser linchado por estes pecadores...
Imagine, que pecado, um detergente na vidraça sendo venerado como santo? Ou apenas um defeito no vidro. Bom, Thoreau não me daria as respostas, pois ele se distanciou mesmo dos outros indo morar no meio do mato e provavelmente não usava detergente. Em Desobediência Civil, ele deixou bem claro suas respostas que serviriam para mim a alguns anos... Tenho pensado exaustivamente no meu modo de viver, e no socialismo libertário. Acho que qualquer tipo de arte atual deveria se desvencilhar destas leis acadêmicas e religiosas para produzir. Penso que para fazer arte, seja qual for, devemos incorporar como um passe de mágica o santo anarco-ateísmo total e extremo. Nada mais. Nada menos. Mas por outro lado, na qual se refere ter ou não ter governo? Não vejo como os homens seriam sem alguém que os controlem, tudo é perfeito no anarquismo, apenas um erro, a índole da maldade do homem, no momento em que todos estivessem em um total cooperativismo, em harmonia e mutualismo, alguém faria algo para tirar vantagens, ganhar em cima, ter mais, e para isso precisa-se explorar, e ao meu ver todos não querem os ricos, mas todos querem também ser rico...Ou melhor, ter comida na mesa e todas as bugigangas da tecnologia e mais algum dinheiro para o supérfluo. Cuba, onde a anos o ditador Fidel Castro governa todos os dias existem entregadores de pães de casa em casa . Escola e tratamento médico gratuito. Mas as pessoas por mais que sejam IGUAIS, querem crescer e ter mais e aí se aventuram em uma fuga para os Estados Unidos da América, terra da “Liberdade”!(???), Bom, pelo menos da estátua... O problema está aí, não se pode ser igual e estacionar no tempo, a de ter um crescimento econômico, fora do capitalismo, mas que todos cresçam juntos... Mas parece um pouco distante com os imperadores do mundo controlando a economia mundial, não dão espaço e ninguém dá a mínima. Antes qualquer greve que se preze estava minada de anarco-sindicalistas, mas hoje as pessoas voltam para a casa com um sorriso no rosto por ter ganhado diminuição de salário em vez de ter sido demitidos. Fazer campanha ao VOTO NULO, ou votar em algum partido de esquerda comunista / socialista? Não, o que eles fazem é votar em um burguês de direita que acaba destruindo mais seus sonhos com a mentira. Vejo a minha cara nesta vidraça, me lembro o que minha mulher me disse sobre isso. E eu não dei importância. Ela me deixou. E o meu emprego? Perdi ele ontem, junto com mais de mil operários... e desde então não voltei mais para casa, só caminho, caminho e caminho tentando colocar a minha vida novamente no trilho. Não sei mais diferenciar o certo do errado perante as leis. A constituição... Quero pintar meus quadros, ou escrever meus poemas, mas como, que direito eu tenho para viver alem de ser um burro de carga? Olhei para a loja, e para a o letreiro que diz: “LOJA DE TECIDOS”. Entrei, comprei um metro de tecido preto, paguei, olhei para rua e encontrei um pedaço de pau e amarrei o pedaço de tecido preto, senti uma liberdade surreal. Astiei a bandeira, coloquei-a sobre meus ombros. Penso que daqui para frente é isso que farei o resto da minha vida


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O aspecto da derrota estadista, e a guerrilha dos sorvetes vendidos na Antártida constituem a luta armada dos escritos bombásticos de Werner Krustkopp.


Três passos ele deu, antes de cair morto no meio da rua com a cabeça na faixa de segurança. Mesmo, com várias pessoas o atendendo na hora que caiu, para lhe levantarem não adiantou, um carro passou em cima de seu crânio... Foi uma das piores cenas já vistas em toda a minha vida, ver aquela senhora com seu vestido branco gritando desesperadamente ao ver que seu vestido tinha pedaços de cérebro e completamente lavado em sangue... Tive vontade de chorar na hora. Pobre coitada imagine quanto ela deve ter pagado naquele vestido? E o que ela teria que pagar para uma lavanderia para tirar aquelas terríveis manchas...
Foi daí que tirei a idéia de me tornar escritor, naquele mesmo dia desatinado com aquela cena da pobre mulher, e entrei (sem querer) num sebo, que vendia diversos livros usados, discos, revistas...Etc... Quando vi, me deparei com o livro fantástico de Werner Krustkopp, um livro lotado de fotomontagens dele mesmo com textos surrealistas, e nonsense... comprei esta obra maravilhosa por apenas três reais, claro, o livro deveria ser uma porcaria para as outras pessoas ditas intelectuais, pois jamais ouvira falar nele...
Dois anos depois encontrei mais um livro de Werner Krustkopp, poesias concretistas e pós modernistas, e com desenhos e colagens do próprio autor... É claro que eu também comecei a escrever coisas parecidas, o que antes eu não tinha idéia do que era escrever, mas com apenas o visual de suas poesias e seus textos e contos fizeram eu ser um de seus maiores admiradores de sua obra. Para mim não existe a LITERATURA sem existir Werner Krustkopp. Ao mesmo tempo em que não existe nada de arte visual como, fotografias e filmes. Tempos depois descobri seus filmes (curtas metragens) cada qual de um minuto a meia hora, com imagens sem nexo, imagens de aniversário infantis, outros com crianças brincando em pracinhas, passeios de família, etc tudo filmado em SUPER-8 e com sons muito estranhos em cima, como uma rajada de violinos tocado milhões de vezes uma em cima da outra por alguém que jamais ouviu falar como se toca aquele instrumento, outros com o tic tac do relógio altíssimo com muito eco e de fundo suas poesias narradas com uma voz chamuscada por anos de cigarro e uísque barato...
Escrevi um roteiro parecido com o estilo de Werner Krustkopp, narrando a história do homem que morreu no meio da faixa de segurança e que seu cérebro espirrou em cima do vestido daquela pobre mulher... Nada mais surreal, do que a realidade de um vestido sujo de cérebro... É claro que a temática do filme saiu completamente GORE ao extremo, coloquei cenas adicionais de crianças partindo melancias e se sujando com a fruta, e laranjas sendo espremidas...
Fiz a trilha sonora, espirado em Werner Krustkopp, gravando o barulho de uma máquina de lavar velha, que faz um estardalhaço e barulhos de buzinas de carros, gritos de mulher e choro de crianças... O que seria da arte sem os mecanismos que jamais são usados para se fazer ARTE? Uma máquina de LAVAR ROUPAS pode ser usado como instrumento musical? As pessoas torcem o nariz, (assim como a máquina de lavar torce sua roupa...) mas não se preocupem, pois o sabão usado tem um bom cheiro...
Werner Krustkopp... Arte subversiva... Ou culto a anti-arte marcada a ferro quente no rosto dos hipócritas?
O homem que sozinho com sua guerrilha informativa, destruiu as raízes até mesmo da contra-cultura (talvez, somente dele próprio).
Anos depois descobri, que o homem que caiu na faixa de segurança e foi atropelado sujando o vestido da mulher com sangue e pedaços de cérebro era Werner Krustkopp. Hoje tenho medo de atravessar a rua na faixa de segurança, mas ainda guardo com carinho o meu disco ABBEY ROAD dos Beatles.
09/12/2002.


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Eleanor Righb escutando Strauss estressado com os fantoches emblemáticos da noite horrenda declamam: “Jé prétends expirer au sein de làthéime / Et que l’infame Dieu dont on màlarmer / Ne soit cocu par moi que pour blásphémer”, de Sade. Pequeno diálogo entre os amigos
 Lee, Harvey & Oswald.
18/06/2004.
Lee
O sangue se transforma em orvalho rítmico em gotículas gesticulando com as mãos, obscenidades metafísicas!
Harvey
O surrealismo andrógino da teoria cardiovascular da inércia política de vanguarda, guarda em uma caixinha as tulipas, ostridentes as dentaduras da menina que se masturba ingerindo alfinetes em sua segunda boca (sic)
Oswald
Guloseimas fanáticas, fervorosas beatas do extremismo religioso da salvação libertária transcende o confronto entre decálogos diálogos que se tornam expositores da fumaça dadaísta incendiando os prédios.
Lee
Tuberculosa combustão de coqueluche, o luxo dos excêntricos. O poema do Augusto de Campos, o concretismo das paisagens das cidades grandes pintadas com a foice na tela sublime dos verdes campos em nostalgias vividas.
Harvey
O sagaz desejo embrionário do terrorismo se desfaz, é força teocrática arrombando o manto sagrado da pura ingenuidade da criança em rituais de magia negra.
Oswald
Black music ou panteras negras; Chapman assassinado! Pincéis poluem andando a galope na coluna vertebral das tintas científicas pré-determinadas a clonar a natureza morta em minutos de uma lágrima de um Goya.
Lee
Jibóia libertina se compromete a obedecer aos caminhos do esperma em viroses lunares.
Harvey
O lunático Qorpo-Santo escrevia; você não leu, o jornal saiu manchado, alguém vai se proteger do frio – trombose verborrágica de um caos medíocre.
Oswald
A iconoclastia a serviço do barro; destrua velhas imagens sacras para que novos artistas possam ganhar dinheiro, dinheiro, dinheiro. A máquina enguiçou, procure aquele ser que se chama homem, defeque sua cybertecnologia em cima de suas letras rabiscadas a bico de pena com o sangue das baratas sobreviventes no sorriso sado-nuclear.
Lee
A vanguarda guarda-roupas no trânsito enquanto o guarda guarda um livro de pensamentos de Nietzsche.
Harvey
Ao que sugere a demência visionária da lâmpada em suas idéias de cachorro manco cego pela incerteza, afogando diante o vinho em volta de ninfas, ninfetas, ninfomaníacas fingindo orgasmos!!!
Oswald
Volto a declamar poemas românticos. Escrevo trilhões de sonetos e versos alexandrinos; os cânticos luminosos ao som de trovadores intitulados como blasfêmias.
Lee
Macarrão instantâneo neurotiza civilizações com o seu fácil e rápido consumo de drogas, sopas transgênicas com cogumelos amazônicos. Volto a citar a obra perdida no espaço de Lautrèamont, igual a Qorpo-Santo por falhas no espaço molecular da física quântica.
Harvey
Oremos ao senhor verme, lemos Augusto dos Anjos que “vive em contubérnio com a bactéria”, quando ninguém está dando “Bandeira” digo também que “estou farto do lirismo bem comportado” imitando Manuel, pinço em meu cérebro deformado e enfermo “o cunho vernáculo de um vocábulo”.
Oswald
Se no mês de agosto, Augusto é um Anjo, o que diria o “Deus-Verme” em citar sua “diária ocupação funérea” em dilacerar versos do Marquês; louvemos suas preces, oh velho estúpido Sade...
“Só pretendo expirar no seio do ateísmo / E que o infame Deus feito para me alarmar / Seja ideado por mim tão só para o blasfemar”.
Lee
Carimbe tais palavras, nas portas dos conventos, nas maternidades, nas escolas religiosas e militares e nas igrejas de sua preferência. (melhor se fossem todas) Mas sua propaganda exibicionista da fraternidade pró-libertação ainda levanta a “Bandeira” do poeta Manuel, escrevendo diariamente sem as amarras do lirismo... “funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor”.
Harvey
Ah, coisa que na infância nós ou EU(A)mava, mas hoje escrevo cartas anônimas com as magras fezes; almoçando com Augusto “a podridão das drupas agras”, como um “Fator universal do transformismo”... que apenas remonta a história da vida cambaleando podre de bêbado nas esquinas, lendo Baudelaire.
Oswald
Sonhando em um dia ser um charlatão alcoólatra como Bukowiski? Decorar seus livros continuando na “Poética” de Manuel Bandeira que diz: “Quero antes o lirismo dos loucos / O lirismo dos bêbados / O lirismo difícil e pungente dos bêbados / o lirismo dos clowns de Shakespeare/ / - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação”...
Lee
E meus olhos dúbios vomitam excrementos ornamentados com as palavras sagradas da salvação libertária!
Harvey
Das noites perdidas, das ruelas encardidas?
Oswald
Caído em uma vala sem sentido algum, de ressaca, de CUBA-LIBRE e toda a revolução dos BICHOS em 1984?

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